domingo, junho 15

Aos que amam.

Fiquei em dúvida sobre qual poema escolher para homenagear o Dia dos Namorados, de repente lembrei-me do poema que Machado de Assis fez para sua esposa já falecida. Acabou-se a incerteza, primeiro porque ele é o meu autor preferido; segundo, meus avôs e meu pai ficaram viúvos e também mantiveram-se fiéis as suas amadas. Nada tenho contra outras uniões, mas acho lindo esse amor que vence a morte. Fica também uma homenagem especial aos meus avós paternos - Arthur e Frozina - o casamento deles foi um exemplo, quase cinqüenta anos de casados, nunca tivemos notícias de brigas. Pareciam dois pombinhos - sempre.



Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.

Trago-te flores - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

Machado de Assis, 1906

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